segunda-feira, 28 de maio de 2012

Contato







" O mais profundo é a pele."  Paul Valéry

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Maio pela metade



Eis que o mês de maio recebe um corte ao meio, deixando todo maio pela metade. Então, tomo café, por ora, no ap Literatto Contabille de Torquato Neto pra contar o incontavél- o que não se pode contar. 


agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;
agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.
você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:
só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;
não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
(não se fala. não é permitido:
mudar de idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento

Torquato Neto

domingo, 13 de maio de 2012

Reivenção



 
A vida só é possível
reinventada.


Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.


Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.


Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.


Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

   


Cecília

sexta-feira, 11 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quem tem céu no nome só podia procriar estrela.

"a noite - enorme, tudo dorme, menos teu nome."

Paulo Leminsky.



" se ser só é
se sabe
o que já se espera
porque de sobressalto
sempre
se desespera?"

Estrela Ruiz Leminsky. 



domingo, 29 de abril de 2012

O amor, a poesia e o silêncio

Como un água profunda brotando, como el mar cubriendo la playa, lãs presencias vuelven a la superfície. Todo se puede ver, tocar, palpar. Ser y aparência son uno y lo mismo. Nada está escondido, todo está presente, radiante, henchido de sí mismo. Marea del ser. Y llevado por la orla del ser, me acerco, toco tus pechos, rozo tu piel, me adentro por tus ojos. El mundo desaparece. Y ano hay nada ni nadie: lãs cosas e sus nombres y sus números y sus signos caem a nuestros pies. Ya estamos desnudos de palabras.
 ( Octavio Paz)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Com a sua licença, Pessoa


( fixação na primeira estrofe. diagnóstico do poeta caprichoso)

O poeta é um hipócrita.
sofre tão elegantemente
que chega a falar de amor
um amor que mal sabe se sente.


O poeta é um medroso.
Mede-se  tão inutilmente
que ignora a própria dor
a dor que tá sempre dormente.


O poeta é um boboca.
Engana-se tão frequentemente
que chega a amar a si
um si que não anda contente.